SP ganha 1ª fábrica no mundo a fazer papel a partir da palha da cana

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O Estado de São Paulo foi escolhido para sediar a primeira fábrica de papel produzido a partir da palha da cana-de-açúcar, a FibraResist, do Grupo Cem.

A inauguração da nova planta aconteceu em Lençóis Paulista.

De acordo com dados da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, esse trabalho é resultado de seis anos de estudos, que culminou com uma tecnologia pioneira no mundo.

O processo é baseado na transformação da matéria-prima, cana-de-açúcar, abundante na região de Lençóis Paulista, em pasta mecânica celulósica 100% sustentável para fabricação de papeis e embalagens.

“Aqui se incorporam novos conceitos de sustentabilidade pelo uso que se fará da palha da cana, dando a possibilidade de uma nova fonte de produção de celulose”, apontou Arnaldo Jardim, secretário da pasta.

Investimento

Foram investidos R$ 25 milhões, dos quais R$ 10,5 milhões financiados por meio da Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista, do Governo do Estado.

A empresa tem capacidade para produzir até 72 mil toneladas de pasta celulósica por ano, com previsão de atingir esse volume já a curto e médio prazo.

Com a inovação, a palha da cana-de açúcar não fica no canavial, evitando pragas e prejuízos, mas se torna mais uma fonte de renda aos canavicultores.

O primeiro acordo de fornecimento já está acertado com a Coopercitrus Cooperativa de Produtores Rurais. A produção inicial, que será de 25% do total da capacidade produtiva, está sendo negociada com empresas que produzem diversos tipos de embalagens e também papel kraft e tissue (como papel higiênico e papel toalha).

Como funciona

O biodispersante separa a lignina (molécula que dá rigidez às células das plantas) das fibras existentes na palha. Foi criado pela própria empresa e elimina a necessidade de calor.

O processo envolve um circuito fechado que evita perdas e desperdício de água, e o pouco resíduo gerado na produção pode ser reutilizado como adubo no campo, entre outras finalidades. A pasta foi avaliada e classificada pela Universidade Federal de Viçosa (MG).

A pasta é livre de impurezas e não oferece perdas de matéria-prima em relação a outros processos já existentes no mercado. Não há custo do descarte do resíduo proveniente da reciclagem.

“O uso da pasta mecânica celulósica vai muito além do apelo da sustentabilidade. Ele traz mais produtividade e rentabilidade à indústria de papel e embalagem”, afirmou José Sivaldo de Souza, da FibraResist.


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